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Alvaro Hilario, de Bilbao para o Correio da Cidadania

Traduzido por Raphael Sanz

12/04/2019

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Foi a própria filha da deputada Leyla Güven, Sabiha Temizkan, quem anunciou há pouco mais de um mês, em 25 de janeiro, que a justiça turca havia decidido libertar a sua mãe, detida e encarcerada na prisão de Diyarbakir, sem juízo prévio, no dia 22 de janeiro de 2018 – e que está em greve de fome desde o último dia 8 de novembro para reivindicar a libertação de Abdullah Ocallan, líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Ocallan recentemente completou 20 anos de prisão na ilha-cárcere de Imrali, localizada no mar de Mármara, Turquia.

Durante estes quase três meses de protesto, a deputada do pró-curdo Partido Democrático do Povo (HDP) e copresidenta do Congresso Democrático do Curdistão, esteve encarcerada por denunciar a invasão militar turca no cantão curdo de Afrin, que fica fora das fronteiras da Turquia, no norte da Síria. Ela só ingere água com sal e açúcar e um complexo de vitamina B.

Güven sofre náuseas, febre alta, duras enxaquecas, insônia e pressão arterial instável. Submetida a isolamento apesar de seu estado de saúde, a proibição de que sua filha e médicos de confiança pudessem visitá-la durante o último mês impediu a comprovação de que a deputada estaria em coma, como algumas fontes manifestaram.

Algo que se estimava como provável se levarmos em conta que o membro do IRA e parlamentar britânico Bobby Sands, por exemplo, morreu após 66 dias de greve de fome em 1981. A vida de Güven, portanto, pode estar por um fio.

Ao protesto se uniram mais de 250 presos políticos e diferentes pessoas e coletivos do Oriente Médio, da Europa e das Américas.

Razões do protesto

O desamparo do povo curdo, que se reflete em dito popular seu (‘os curdos só têm as montanhas como amigos’), encontra-se detrás deste protesto duro. “O povo curdo sente o estresse da solidão a que está condenado pela comunidade internacional e optou por este protesto por ser o único que restou em um momento em que todas as outras portas estiveram fechadas. Neste caso, a vida dos presos, ou seja, seus próprios corpos, é a única coisa que resta para seguir lutando e para que se escute a voz do povo curdo”, manifestou Maryam Fathi, militante curda exilada no País Basco e membra da Associação basco-curda Newroz.

A agressão militar turca contra o povo curdo é incessante e, desde a invasão do cantão curdo de Afrin, só se agrava.

“A Turquia possui um regime fascista que não respeita nenhuma autonomia curda, mesmo fora das suas fronteiras. O silêncio internacional e o apoio que a União Europeia e os EUA dão à Turquia é muito doloroso. Recentemente, Putin e Erdogan conversaram com o objetivo de facilitar os ataques, que contam com apoio aéreo e bases militares no Curdistão Federal – no Iraque – além do apoio de jihadistas. A Turquia não respeitou nenhum dos oito cessar fogo proclamados pelos curdos desde 1993. Enquanto isso, o PKK segue na lista de organizações terroristas, o qual permite que os ataques contra Rojava (região curda no norte da Síria onde está o cantão de Afrin e cuja tradução no idioma curdo é ‘ocidente’). Apenas uns poucos partidos de esquerda, além de movimentos sociais e feministas, apoiam a nossa causa e os nossos pedidos, mas ainda é uma causa com pouco destaque”, lamentou Fathi.

O líder na prisão

A ponto de cumprir 20 anos de reclusão na ilha-cárcere de Imrali, Abdullah Ocallan reflete parte dos padecimentos do povo curdo, assim como o que considera a chave para o seu final.

“Ocallan está, desde 2016, sem receber visitas dos seus familiares e desde 2011 sem ver seus advogados. Não é só líder, como também fundador do ‘confederalismo democrático’, que considero a chave do processo de paz entre a Turquia e os curdos”, explicou Fathi.

Na Turquia há 330.000 presos, sendo que 12.000 deles são presos políticos curdos, e entre os quais há 4.000 menores de 18 anos. “Cumprem suas penas nas setenta prisões de modelo F, de segurança máxima, onde sofrem isolamento e constantes torturas”, denuncia a militante curda.

Enquanto isso, a deputada curda Leyla Gúven mantém seu protesto de sua casa. Para ela o importante é denunciar a situação de Ocallan e dos curdos em geral, e não a sua em particular.

Álvaro Hilário escreve sobre o País Basco e outros assuntos para o Correio da Cidadania e para meios argentinos.
Traduzido por Raphael Sanz, para o Correio da Cidadania.

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